28 de outubro de 2009

Tempos difíceis para os sonhadores

Tempos difíceis para os sonhadores, esses loucos
Que insistem em ver além do que permite a visão
E dar cordas com asas para uma imaginação
Buscando prazeres e os tendo assim tão poucos.

Que farão eles com esses dias duramente reais?
Vão se trancar num castelo montês e sonhar
E sonhar procurando do mundo se ocultar
Perdendo em seus sonhos cada vez mais?

O mundo bate à porta, os sonhos, tacitamente,
Estão proibidos por lei que não está escrita
E eles, quando vão se render a isso? Quando?

Não se sabe, mas se sabe que essa gente
Sonhadora insiste em não dar por proscrita
A esperança enquanto eles estiverem sonhando.

Francisco Libânio

14 de outubro de 2009

O Quinto dos Infernos

Durante o século 18, o Brasil Colônia pagava um alto tributo para seu colonizador, Portugal. Esse tributo incidia sobre tudo o que fosse produzido em nosso país e correspondia a 20% (ou seja, 1/5) da produção.Essa taxação altíssima e absurda era chamada de "O Quinto". Esse imposto recaía principalmente sobre a nossa produção de ouro.
O "Quinto" era tão odiado pelos brasileiros, que foi apelidado de "O Quinto dos Infernos".
A Coroa Portuguesa quis, em determinado momento, cobrar os "quintos atrasados" de uma única vez, no episódio conhecido como "Derrama".
Isso revoltou a população, gerando o incidente chamado de "Inconfidência Mineira", que teve seu ponto culminante na prisão e julgamento de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário - IBPT, a carga tributária brasileira deverá chegar ao final deste ano de 2009 a 38% ou praticamente 2/5 (dois quintos) de nossa produção. Ou seja, a carga tributária que nos aflige é praticamente o dobro daquela exigida por Portugal à época da Inconfidência Mineira, o que significa que pagamos hoje literalmente "dois quintos dos infernos" de impostos...
Para que?
Para sustentar a corrupção, campanhas eleitorais, o PAC, o mensalão, o Senado e sua legião de "diretores", a festa das passagens, os cartões corporativos, o bacanal (literalmente) com o dinheiro público, as comissões e jetons, a farra familiar no executivo, os salários de marajás, etc. etc.. etc..
Nosso dinheiro é confiscado no dobro do valor do "quinto dos infernos" para sustentar esta corja, que nos custa (já feitas as atualizações) o dobro do que custava toda a Corte Portuguesa.
E pensar que Tiradentes foi enforcado porque se insurgiu contra a metade dos impostos que pagamos atualmente!

12 de outubro de 2009

Tempos de Tolerância Zero

Nós estamos vivendo no tempo da Tolerância Zero. Numa escola do interior de São Paulo, um menino gago de 9 anos é agredido por 5 colegas, todos com idade abaixo de 12 anos, a ponto dele parar no hospital. Um pouco mais perto de mim, uma moça no supermercado se queixa do número de caixas abertos. Eu também me irrito, eu também estou atrasado, também tenho compromissos e obrigações. Daí a moça me diz: Aquela fila é pra velho, a outra é pra gestante. E pros humanos, como nós, sobra o quê? Sobra só essa. É um absurdo isso, você não acha?
Mas a qual absurdo ela se refere? O mundo é desigual. Há mendigos e carrões, há mulheres com filhos no colo e com filhos no útero. Há também aquelas que abortam os filhos e não cuidam deles como mãe. Há “velhos” que furam as filas e há “velhos” que esperam pacientemente nas filas. Há também os velhos que se aproveitam das filas para fazer amigos. Há os meninos aprendizes de marginais e os meninos gagos. Há os presidentes de nações que negam o holocausto e os que defendem a delação dos imigrantes e os que se envergonham de seu passado nazista. Tudo isso faz parte desse mundo desigual, um mundo que caminha para um estado de cegueira, onde o difícil, ao que parece, é enxergar paz com quem se identificar.

7 de outubro de 2009

Yes, we can.


Yes, we can. Não, a frase nâo é do Obama. A frase é do presidente Lula que, ao que tudo indica, descobriu o segredo de Midas e transforma em ouro tudo o que toca; ou em ouro, ou em petróleo, ou em uma olimpíada. O ano de 2016 já começou. Foi uma decisão histórica? Foi. Foi histórica e emocionante, que levou às lágrimas o presidente da República; mas atenção! São apenas sete anos para fazer o que já se prometeu várias vezes.
Renovar o caótico trânsito, aumentar o número de hotéis, modernizar a infra-estrutura de segurança, construir e reformar as instalações esportivas. Mas não era pra eu estar feliz? Sim, muito! É uma oportunidade excepcional não só para o Rio entrar em uma nova era, como também para o próprio país deixar de pensar pequeno e deixar de ter o complexo de vira-lata. O Brasil está inserido definitivamente no Primeiro Mundo. Se não lutarmos para que isso realmente se concretize, perderemos a principal medalha de ouro de nossa história. O medo de que a corrupção nade de peito no bilionário orçamento das Olimpíadas Brasileiras é combatido com argumento de caráter prático. Se formos esperar pelo fim da corrupção, o Brasil não realiza sequer o Campeonato Mundial de Purrinha. O Comitê Olímpico Internacional não está para brincadeira. Seus membros exercerão sobre as aurotoridades do Rio uma tal vigilância sobre as metas exigidas, que a cidade necessariamente passará por uma transformação radical.
Espero que possamos chegar à cerimonia de encerramento de 2016 com uma medalha no pescoço em vez de um nariz de palhaço na cara. Eu confio. E você?